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ABDI e FGV lançam a Sondagem trimestral sobre digitalização nas empresas

Objetivo é monitorar a jornada das micro e pequenas empresas rumo à transformação digital. Setor do comércio lidera investimentos e prevê estabilidade das vendas on-line para os próximos meses

UCM | 03/06/2022

A transformação digital é apontada por especialistas como fundamental para a retomada do crescimento econômico e desenvolvimento das empresas de todos os portes e elas estão atentas a esse movimento. No primeiro trimestre de 2022, 40% das MPEs do setor industrial informaram terem realizado investimentos na digitalização de seus negócios, sendo que 16% delas aumentaram os investimentos. No setor de serviços, esse percentual foi de 49%, sendo que 15% disseram ter aumentado os investimentos na digitalização. Já o setor de comércio está mais acelerado nesse processo, com 52% das MPEs que afirmaram terem realizado investimentos em digitalização, das quais 15% tendo investido mais do que faziam antes. Entre as MPEs do o setor da construção civil, 26% afirmam terem investido, sendo que 6% evoluíram seus investimentos na transformação digital.

Os dados são da primeira Sondagem sobre Transformação Digital nas empresas brasileiras, desenvolvida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dados coletados no primeiro trimestre de 2022. A parceria da ABDI com a FGV deverá realizar o levantamento de informações sobre a digitalização das MPEs brasileiras de três em três meses, com o objetivo de monitorar, principalmente, a jornada das MPEs brasileiras rumo à economia digital e identificar as tendências para o curto e médio prazos.

A primeira edição da Sondagem ainda identificou que o comércio on-line tem se consolidado como importante canal de vendas para as empresas, principalmente do setor de comércio, em que 48% das MPEs afirmaram manter ou ampliar suas vendas por canais digitais nesse primeiro trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2021. Esse percentual foi de 25% no caso do setor industrial, 37% no setor de serviços e 19% na construção civil.

Os dados demonstram que os micros e pequenos negócios brasileiros estão iniciando sua jornada para a transformação digital. Mas, ao comparar o comportamento das MPEs às das médias e grandes empresas, a pesquisa mostra também as dificuldades das MPEs brasileiras em adaptar seus negócios a uma economia digital. As micro e pequenas empresas brasileiras são fundamentais para a geração de emprego e renda. Responsáveis por 54% dos empregos no Brasil, elas representam 99% do total de empresas no país e geram 27% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

“A transformação digital é um fator essencial para aumentar a produtividade e a competividade das empresas, incluindo as MPEs, o que torna seu monitoramento crucial para a avaliação do grau de sucesso das políticas públicas”, afirma o presidente da ABDI, Igor Calvet.

A amostra reúne cerca de 4 mil empresas de todos os portes dos setores da Indústria de Transformação, do Comércio, de Serviços e da Construção. A sondagem avalia os quesitos investimentos realizados no processo de digitalização e evolução do comércio eletrônico.

“A divulgação destas informações consistirá em uma importante ferramenta para a análise de conjuntura e para a tomada de decisão por agentes públicos e privados, permitindo a cada três meses tomar o pulso de como o tema da transformação digital está sendo tratado pelas MPEs brasileiras”, explica Luiz Gustavo Medeiros Barbosa, gerente executivo da FGV.

MPES estão ficando para trás

Analisando os resultados da sondagem por porte das empresas, verifica-se uma diferença significativa na participação de investimentos e de vendas on-line na comparação entre as MPEs e o resultado agregado geral. No setor da indústria, enquanto 40% das MPEs afirmaram realizar investimentos em transformação digital no primeiro trimestre do ano, esse percentual sobe para 68% quando a pergunta é feita para as empresas industriais em geral. Apenas 16% das MPEs do setor industrial disseram terem aumentado os investimentos em digitalização, contra um total de 20% das indústrias no resultado agregado. No quesito comércio eletrônico, 25% das micro e pequenas empresas responderam que realizam esse tipo de venda, enquanto no resultado geral esse valor sobe para 53%.

O mesmo cenário é percebido nos demais setores econômicos. No caso do comércio, 52% das MPEs informaram realizar investimentos em digitalização e 48% realizam vendas on-line, enquanto que os percentuais das empresas de comércio em geral são de 66% e 61%, respectivamente.

No caso dos serviços, a diferença é menos acentuada com 49% das MPEs tendo informado realizar investimentos em digitalização e 37% realizar vendas on-line, enquanto que os percentuais das empresas de serviço em geral são de 52% e 37%, respectivamente.

O único setor em que as MPEs apresentaram melhor resultado do que as empresas em geral foi o da construção civil, onde 26% das MPEs responderam realizar investimentos em digitalização e 19% realizar vendas on-line, contra 23% e 16% das empresas em geral respectivamente.

Empresários preveem avançar na digitalização nos próximos meses, mas ainda com cautela

A Sondagem sobre Transformação Digital nas empresas brasileiras também perguntou aos empreendedores as suas previsões para os próximos três meses e os resultados demonstram que apesar de toda a dificuldade que as empresas estão passando no processo de retomada econômica, os empresários estão apostando na digitalização de seus negócios. Um total de 23% das empresas do setor da indústria, 18% do setor de serviços e 25% do setor de comércio informaram que deverão aumentar seus investimentos em digitalização da empresa nos próximos meses.

Da mesma forma, os gestores preveem avançar no uso do comércio on-line em relação às vendas totais de suas empresas. 15% das empresas do setor industrial, 16% do setor de serviços e 26% do setor de comércio acreditam que as vendas on-line aumentarão sua participação em relação ao total de vendas da empresa.

No setor de construção civil, apenas 7% dos empresários informaram previsão de aumento dos investimentos na digitalização e 5% preveem maior volume de vendas on-line em relação às vendas totais da empresa. Este é o setor que tem apresentado menos avanços na digitalização dos negócios.

Sondagem: outros resultados

As empresas também responderam sobre o estágio atual de algumas ferramentas tecnológicas utilizadas no mercado: data analytics, cibersegurança, automação de processos, sistema de gestão integrada e sistema de gestão de clientes. Os resultados mostram que a Indústria se destaca com mais de 70% das empresas que já estão em alguma dessas etapas do processo (em desenvolvimento, em implantação ou implantada) em todas as ferramentas.

Mais da metade das indústrias já implantou o sistema de gestão integrada (61,2%) e cibersegurança (51,3%). Automação de processo também é uma atividade consolidada em quase 50% das indústrias (48,1%). Nos setores de Comércio e Serviços, sistema de gestão integrada (47,3% e 41,1%, respectivamente) e sistema de gestão de clientes (42,7% e 38,4%) são as ferramentas mais implantadas pelas empresas.

As áreas de vendas, finanças e serviço ao cliente são as que apresentam maiores avanços na digitalização e o setor industrial é o que mais tem avançado na implantação de soluções digitais para as áreas de negócios. Quer saber mais? Consulte aqui (link do relatório) os detalhes e dados da primeira Sondagem sobre Transformação Digital nas empresas brasileiras.

Mapa da Digitalização das MPEs brasileiras

A ABDI e a FGV também lançaram, em julho de 2021 o Mapa de Digitalização das Micro e Pequenas Empresas Brasileiras (MPEs), uma pesquisa anual que mensura, nas empresas pesquisadas, o grau de implementação de 25 boas práticas digitais e da utilização de tecnologias habilitadoras.

No ano passado, o Mapa revelou que 66% das MPEs estavam nos níveis 1 e 2 de maturidade digital, sendo 18% analógicas (nível 1) e 48% emergentes (nível 2). Só 3% são consideradas líderes digitais (nível 4), e 30% estão na etapa intermediária (nível 3). A pesquisa mostrou que a média de maturidade digital das micro e pequenas empresas brasileiras era de 40,77 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100 pontos, sendo 0 nada digital e 100 totalmente digital. A segunda edição do Mapa será lançada em julho deste ano.