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Inovação é palavra de ordem para o Exército Brasileiro

A ABDI e a empresa ASTRO ABDC entregaram a última remessa de Uniformes Inteligentes para o Exército. Ao fardamento foram aplicadas nanotecnologias que vão auxiliar, por exemplo, no controle térmico e ação repelente, em um tecido de alta performance

UCM | 21/10/2021

Inovação tornou-se componente chave na criação de novos uniformes militares, projetados para melhorar o bem-estar dos soldados e, ao mesmo tempo, fornecer informações adicionais sobre suas operações. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) entregou, nesta quarta-feira (20/10), 400 conjuntos de Uniformes Inteligentes ao Exército Brasileiro. Foi a última fase do projeto iniciado em 2018, fruto da parceria da ABDI com o Exército Brasileiro, e do contrato com a empresa ASTRO ABC.

Controle térmico, ação repelente, e ação antimicrobiana anti-odor, em um tecido de alta performance. Essas são as funcionalidades de nanotecnologia aplicadas aos novos uniformes do Exército. “Esse projeto foi a ponta de lança para que essas tecnologias sejam difundidas no setor produtivo. A gente propôs um fardamento completamente novo com aplicações de nanotecnologias num tecido diferenciado”, explicou Larissa Querino, responsável pelo projeto na ABDI.

 

De acordo com Larissa, a indústria de defesa é um dos principais demandantes de inovação, de novos materiais e de processos inovadores, no entanto os benefícios também transbordam para o uso civil. ”Essa foi a primeira etapa para comprovar que a inovação é viável. Ao ser testada e aprovada, ela entrou num conceito dual, ou seja, um conceito que pode atender tanto a área militar quanto a civil”, concluiu.

Os uniformes militares passam por revisões esporádicas e, de acordo com o Coronel Guimarães Júnior, a atualização do novo fardamento é urgente. “É um projeto que agrega ao nosso uniforme funcionalidades como ergonomia, tecido mais tecnológico que se adapta melhor aos diversos ambientes operacionais do Brasil e aos requisitos que as operações de um combate moderno impõem. E isso é indispensável”, afirmou.

Ainda sob o ponto de vista do Exército, o Tenente Coronel Genaro destacou a importância da parceria. “Por intermédio da ABDI, tivemos a agregação de várias tecnologias para o nosso uniforme que se mostrou muito valioso nos testes com as tropas dos Estados Unidos”. Os têxteis inteligentes são aqueles que são capazes de detectar mudanças em seus arredores e reagir a elas. São têxteis que reagem a algum estímulo externo do ambiente e produzem um resultado prático.  O fardamento foi testado pela tropa brasileira que participou da Operação Culminating/2021, entre 03 de janeiro a 22 de fevereiro, nos Estados Unidos.

Após a conclusão dos testes de campo, o Exército Brasileiro e a ABDI constataram, por meio de avaliações, que o enquadramento conforme o padrão de desempenho apresentado pelo Uniforme foi de Muito Bom e Excelente em todos os quesitos. Os próximos testes acontecerão em novembro. Desta vez as tropas americanas e brasileiras testarão as tecnologias em São Paulo.

Para a empresa contemplada pelo edital da ABDI, ASTRO ABC,  “foi uma alegria ser contemplada pelo edital da ABDI junto ao Exército. Vimos que a inovação que foi aplicada teve um efeito. As atividades do Exército requerem muito esforço e ficamos satisfeitos em fazer parte do bem-estar do soldado, isso evita o desagaste do combatente”, esclarece o representante da empresa Wilson Alves.

O Projeto

O Uniforme Inteligente é uma iniciativa da ABDI e recebe o apoio do Exército, no âmbito do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA). O objetivo é atender uma demanda das Forças Armadas por vestimentas mais confortáveis e adequadas às operações militares e, ao mesmo tempo, difundir técnicas inovadoras do setor têxtil.

No início de 2018, foi criada uma força tarefa contando com a participação do Ministério da Defesa (MD), Exército, Marinha e Aeronáutica, IMBEL (Indústria de Material Bélico do Exército), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), SENAI-CETIQT, Instituto Federal Fluminense (IFF) e Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-USP). O grupo definiu os itens que deveriam compor o Uniforme Inteligente, bem como as funcionalidades, requisitos e tecnologias que foram exigidas para sua produção.

A ABDI apoia o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID) por meio da articulação e cooperação com o Governo (demandante) e empresas fornecedoras de produtos e serviços de defesa. Entre as iniciativas, destacam-se ações orientadas ao desenvolvimento da inovação e à adoção de tecnologias voltadas para o aumento da competitividade do setor produtivo, com o foco em produtos, tecnologias e aplicações para os mercados interno e externo.